Delta

Deságua Douro

Carmencita

Língua cheia de vogais,
coloridas por consortes
consonantes constantes.
Cavalo do espírito.
Tobogã das idéias.
Escorre a baba das vogais torneadas,
arredondadas dos biquinhos de beijo francês.
Consoantes chupadas, sugadas, ciciadas.
Língua sitiada.
Toque de recolher
língua de fora.

Rumina farofa
no mesmo cocho dos dentes,
distantes parentes,
tão perto, tão longe.

Sibilo de sibila.
Sereia nadando em saliva.
Estrala, assobia.
De vento em proa
na ponta da língua.
Penico de exu.
Bocarra. Escarra. Agarra.
Volúpia de dentes de Lupus caninus.
Ralho ao pirralho.

Língua cheia de vogais,
cincerro da paz,
úvula de cepa nobre
ovula repeniques.
Carne. Vau. Vale
de água na boca.

Língua nossa, que estás no céu da boca,
livra-nos da saburra nossa de cada dia.
E dá-nos sabor.

___________________________________________________________________

Postado por Carmencita.

4 Respostas para “Delta”


  1. 1 Tiele Sexta-Feira, 21 Novembro, 2008 às 1:23 pm

    Noossa. Adorei, Carmencita!
    Li e reli [e novamente]! Ótimo de ler. Gostei mesmo! ;)
    Beijocas.

  2. 3 vanvon Sábado, 6 Dezembro, 2008 às 5:55 am

    Sabe, gata, uma coisa q. sempre me intrigou nas aulas de geografia eram os deltas. Bem sacado! vc. está bem? sodades. Bjcas.


Deixe uma resposta