Os instantes que não vivi junto do mar

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Mar
Sophia de Mello Breyner Andresen

Mar, metade da minha alma é feita de maresia,
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.

E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.

 

Sea

Sea, half of my soul is made out of sea-air,
since it is due to the same disquietude and nostalgia
which exist in the vast clamour of the high tide,
that no asset has ever satisfied me.
And it is because your waves undone by the sand
rise stronger ever again,
that I, after each fall, walk towards life
baffled by a new illusion.

And if I tell the stars about my sorrow,
it is because you too, insurgent and theatrical,
let your pain resound to the skies.
And if, before everything, I hate and escape
all that is impure, profane and dirty,
it is just because your waves are pure.

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Postado por Carmencita.

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3 Respostas para “Os instantes que não vivi junto do mar”


  1. 1 Urubu Quarta-feira, 20 Fevereiro, 2008 às 10:30 am

    “metade da minha alma é feita de maresia” Nunca lerei essa frase sem associar à Carmencita!

  2. 2 mari Terça-feira, 26 Fevereiro, 2008 às 5:17 pm

    Carmencita
    Vc. foi criada andando com os pés descalços na areia, pois, pois?

  3. 3 geleiairreal Quarta-feira, 27 Fevereiro, 2008 às 4:02 pm

    Urubua
    Obrigada, querida!

    Mari
    Credo! Eu não era tão pobrinha. Pelo menos um chinelinho eu tinha.

    Um grande beijinho!


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